
Se a crise se faz sentir em todos os sectores de actividade, e especialmente na Industria Turística, não é de estranhar que o arrendamento "legal" de quartos também tenha notado a quebra de turistas. O caricato desta situação é existir um negócio ridículo (a tocar o surreal), em que o brejeiro se torna "cartão de visita" da nossa cidade. É sem dúvida um espectáculo bastante hilariante observar as
"chambrêras kamikaze" na sua labuta, quase atropelando-se a elas próprias para publicitar os seus
quartitos...
Para quando a ordenação desta situação? É que nem mesmo na Nazaré, de onde é originária esta moda, se pratica actualmente o regateio de quartos privados...
Peniche não pode evoluir enquanto situações como esta se continuem a fazer sentir.
Aqui fica uma noticia que ilustra a crise das "chambrêras":
"Peniche: Chambristas muito afectadas pela crise As chambristas de Peniche, que alugam quartos a turistas nas suas habitações privadas entre Junho e Agosto, afirmam que “a crise se fez sentir com muita força” durante o negócio deste Verão.
Graciete Bandeira, 69 anos, “chambrista ou chambreira - como queiram chamar - há 12”, afirma à Lusa que “em Agosto ainda se alugaram alguns quartos, mas Junho e Julho foi uma miséria”.“O cenário do ano passado foi muito melhor”, garante.Está vestida de preto, de pé numa das avenidas da baixa da cidade: “Aqui passa mais gente, é o melhor sítio”, explica. Na mão tem o cartão que mostra a quem passa o que oferece - “Quartos, chambres, rooms, zimmer” - e que a identifica nos registos da Câmara Municipal de Peniche (CMP), que monitoriza o alojamento particular desde 1996.“Não ganhei dinheiro nenhum este Verão. Nem deu para as horas que passei em pé”, lamenta. “E assim que os miúdos começarem a escola já não vale de nada estar aqui”, acrescenta.
Graciete Bandeira garante que “as mulheres que aqui trabalham têm tudo legal. Pagam às finanças e cumprem o regulamento que a Câmara estipulou”.Os quartos custam entre 25 e 40 euros. A autarquia sublinha que leva a cabo “uma monitorização regular para que o alojamento local constitua uma oferta de confiança”. “Corre sempre tudo muito bem, os hóspedes vão muito contentes, e nós ficamos contentes também”, afirma. A autarquia corrobora: “A última reclamação referente a alojamento particular data de 2006”.
Também Otília Capa, 49 anos, “chambrista em Peniche há 12 ou 13”, sentiu “uma crise dos diabos” este Verão. Antes de explicar mais, assoma-se aos carros que passam na estrada, estica o seu cartão amarelo e acena: “Hello! Rooms, chambres, quartos?”.“Em situações em que o ano passado alugava dois quartos para uma família de quatro pessoas, este ano aluguei só um. As famílias apertam-se. Há pais que até se desculpam com o medo que as crianças têm do escuro”, conta. De acordo com dados da CMS, existem 135 registos activos, a maioria mulheres entre os 45 e os 65 anos.
Francelina Ricardo, 63 anos, também na baixa da cidade a tentar a sua sorte, afirma que “ser chambrista é a sua profissão do mês de Agosto”.“Tenho os quartos dos meus três filhos vazios, estou sozinha com o meu marido. É uma forma de ter companhia e de complementar as nossas reformas, que são baixas”, diz.“Mas este ano a crise fintou-nos. Foi mais cansaço que outra coisa”, termina.
A autarquia afirma que a oferta de alojamento começa a inverter-se, e que existem já diversos projectos de investimentos em análise na Câmara Municipal, tanto para a cidade como para as freguesias rurais.(JYF-Lusa in Rádio Batalha Online 31/08/09)
Haja paciência...